Viva intensamente

Romance, relacionamento, amizade e muito mais. Sentimentalismo na medida certa. Identifique-se.



sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

E lá no céu, se um dia brilhar pra mim


É sempre assim: uma boa conversa, sumiços repentinos, instabilidades, mudanças de humor, defesas quase que perfeitas e revelações quase sem querer. E eu não estou falando só de você, estou falando de nós.

Há algum tempo, não tão distante eu conheci pessoas que eu achava que pareciam muito comigo, mas você... Ah você! Você tem o seu jeito todo eu de ser, quer seja fugindo, quer seja planejando, quer seja se esquivando. Mesmas intenções, mesmas idéias sobre as imperfeições das histórias de amor, mesmos modos de não querer mostrar o que sente, o que pensa.

Assim como eu, você gosta de ouvir. Ouvir uma boa música, ouvir uma boa história, ouvir uma boa opinião, ouvir o que pensam de você, ouvir o quão importante é pra alguém.

Talvez toda essa similaridade, essa simetria, seja o que nos impede de descobrir mais, ir a fundo ao que o outro quer, ao que o outro sente.

Muito bom! Tudo é como um jogo onde os dois são caça, mas acima de tudo, os dois também são caçadores. Caçadores de palavras, de elogios, de críticas, de informações.

Eu, particularmente, gosto do sincronismo. É algo que me faz rir sozinho às vezes, pensando naquela besteira que falei, ou na outra que ouvi.

Momentos. Foram tão poucos, mas sei lá. Em condições normais eu já teria sumido, esquecido seu nome, você o meu e estaríamos vivendo as nossas vidas, cientes da distância, cientes do que queríamos mas, nada na vida é previsível. Aliás, previsibilidade é uma palavra que foge de qualquer descrição a seu respeito.

Como você mesmo gosta de dizer: o seu negócio é bipolaridade. Mas eu sou capaz de ir além e dizer que é tripolaridade, tetrapolaridade ou, pra facilitar, polipolaridade. Mas fazer o quê? Se isso é o que me encanta em você?

Estrela? Acho que você, mesmo sem querer, se definiu muito bem. As estrelas alternam entre dias de visibilidade total, aparições entre as nuvens do céu e desaparecimentos por certo tempo. Apenas pra que as admiremos em um dia, as procuremos, nos outros, e para que sua falta seja sentida quando não estão. Assim é você.

E lá no céu, se um dia brilhar pra mim, só pra mim, tenha a certeza que farei tudo pra que a sua luz ilumine pra sempre o meu mundo, a minha vida. 

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Carta pra você

Sinceramente, a quantidade de papel amassado e rasgado, com rabiscos e resenhas compreensíveis, ou não, formando uma montanha branca no meu cesto de lixo me assusta. Tudo isso porque não sabia nem como começar a te escrever, a te contar tudo o que se passa nessa cabeça.


Uma cabeça atribulada, confusa, cheia de responsabilidades com as quais ainda não sei lidar, que ainda não sei cuidar. Uma cabeça muito parecida com a sua e, ao mesmo tempo, tão diferente a ponto de distanciar, de temer e não conseguir entender.


Enfim, quer saber o porquê disso tudo?


Porque eu, logo eu, tão bom com as palavras, tão cativante com as pessoas, de muitos amigos, de muitos admiradores, de bom senso de humor, de respostas rápidas e inteligentes, simplesmente, na sua frente, padeço, me sinto impotente. Impotente a ponto de travar a língua e ser dominado por uma timidez que não é minha.
Verdade seja dita, você tem o poder de me deixar assim, mesmo sem querer, mesmo sem saber. Mas sei que também te deixo assim. Porém, enquanto eu luto e vou atrás de respostas, você apenas espera que elas caiam do céu. E é isso que nos torna diferentes.


Escrevo-te com o propósito de fazer despertar o interesse, não em mudar, mas em aceitar que as coisas são assim mesmo.

E então, espero que, juntos, possamos compreender que as diferenças nasceram para serem respeitadas, e não corrigidas.

E assim a vida se encarrega, naturalmente, de colocar cada peça do quebra-cabeça no seu devido lugar, pois se as peças fossem completamente iguais, nunca se encaixariam umas nas outras.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Meia dose de reflexão


É. Uma dose de tédio, aliada a uma horrenda falta do que fazer e um silêncio gélido e solitário no meio de uma madrugada podem ter lá suas vantagens.

Talvez, nesse momento, você consiga parar e pensar, separar o certo e o errado, quem merece ou não estar ao seu lado, quem edifica as muralhas de sua fortaleza e quem apenas está ali para torná-la cada dia mais frágil, sensível.

Amigos. Tantos e tão poucos. Quem são os verdadeiros? Os que te vêem todos os dias, mas sempre parecem querer algo em troca dos minutos perdidos ouvindo suas besteiras?

Talvez não sejam besteiras aos olhos dos que estão distantes, amargando uma rotina igual a sua, que não os permite compartilhar contigo seus momentos, felizes ou tristes, mas que, com uma palavra, consegue te arrancar da mesmice de uma vida regrada por horários, cerimônias e satisfações.

Esses devem ter o seu valor reconhecido. Os poucos, que se tornam muito, quando o pouco que você vive te consome lentamente, te impedindo de sair do lugar, de crescer, de continuar.

Esses que, com um gesto, te mostram que ainda é importante pra alguém e que algumas pessoas precisam de você para sobreviver num mundo onde a falsidade e o egoísmo insiste em imperar.

domingo, 2 de outubro de 2011

Apagando as marcas


É sempre assim. Uma simples conversa, um momento de aproximação e pronto. Não consigo evitar.

Algo em você me atrai com uma força desproporcional, quase que covarde que não me deixa escapar, desprender e, quando tento o fazer é tarde demais. A cabeça está confusa, os pensamentos estão sem sentido e o coração acelerado. 

Gestos não compreendidos, palavras não ditas, silêncios que falam, olhares que entregam, abraços tímidos, defesas forçadas. Tudo parece misterioso e irreal quando envolve eu e você.

Mas os motivos que fazem te querer parecem pequenos quando tento convencer a mim mesmo que não deveria estar sentindo, lutando por você. Em vão. Deixou, marcou, ficou dentro de mim um sentimento que não me deixa afastar, tirar da minha mente você.

Olhando pro passado vejo que se tudo isso tivesse acontecido antes poderia ter dado certo. Ou não. O passado já se foi e o presente é cada vez mais frio a cada minuto que se passa sem uma decisão, sem um basta ou um “vamos em frente”.

E continuo como sempre, dia após dia, tentando não deixar transparecer quão fraco sou diante de tanto querer.

E apagando as marcas pra tentar te esquecer, pude perceber o quão ainda estou apaixonado por você. 

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Mais do mundo

Eu sou assim. Imperfeito, complicado demais. Maleável, flexível, enganoso, transparente. Simplesmente humano.


Não retorno ligações, reclamo do trabalho, omito, minto, sofro, choro, aconselho sem nem mesmo entender a mim mesmo. Planto reticências, crio dúvidas, questões, dou alternativas, sei as respostas. Não conto pra você.


Egoísta, solidário, humilde, imponente, prepotente, fraco. Forte às vezes.

Já amei, fui odiado, invejado, subtraído, substituído, subjugado, ultrapassado e adorado.

Fiz amigos. Conservei, magoei, enganei. Fui enganado. Cobrei intensidade. Faltei com devoção. Conversei, ajudei, dei a mão. Roguei pragas, pedi bênçãos, orei por eles.

Apanhei da vida, aprendi com ela. Surpreendi incrédulos e acreditei em falsas verdades, falsos sorrisos, falsos olhares.

Fiz amor, falei de amor, plantei o amor, cantei o amor e nunca entendi o amor. Tento. Não consigo.

Sou ignorante. Ignorante a ponto de saber que não existem respostas, explicações e incessantemente buscá-las. Ignorante a ponto de creditar aos que menos se importam meus pensamentos e angústias mais valiosos, secretos.

Sonhei. Acordei assustado, esperançoso, desanimado, encorajado.

Já tive medo. Medo de levantar, seguir em frente, atingir um objetivo. Medo de morrer, de tudo acabar, de dar um ponto final. Medo de perder, de crescer, de mostrar, de quebrar a cara.

Sou assim, gente da gente. Daquelas que olham para o céu pedindo mais. Mais paz, mais sossego, mais chuva, mais paixão, mais dedicação, mais luz, mais caridade, mais de mim. Mais de nós. Mais de você. Mais do mundo.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hoje eu saio cedo



Hoje eu saio cedo.

Talvez eu volte. Talvez leve um tempo. Quem sabe apenas alguns dias.

Entender? Difícil. Desde o início as coisas eram confusas. Segredos, vontades, mistérios, caprichos, indecisão, imprecisão. Abraços sem laços e beijos extasiados, ensaiados. Constantes inconstâncias.

Vou tentar. Tentar voltar ao mundo real onde as pessoas são reais, onde os caminhos têm pedras e emboscadas prontas para me derrubar, me ensinar.

Vou tentar. Tentar não fraquejar. Não de novo. Depois de tanto tempo me deixei enganar por um apreço, por um bem querer. Eu tentei demais até perder a esperança em você.

Quando estiver sozinha, naquelas tardes entediantes de domingo, pense que talvez eu volte. Sorrindo por regressar ou apenas por não ter que te olhar com os olhos de quem sonha, de quem espera algo mais.

Sem desculpas. Não foi um erro.

Sem explicações, não pra mim. Espero que seja feliz.

Prefiro ficar a sós com meu eu. Melhor que ficar sozinho a dois.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Apenas mais uma de desamor


Quem sabe um dia.

Um dia vou levantar-me, caminhar sem rumo, rindo a toa de tudo que passou. De todos os traumas, conflitos, histórias, abraços e beijos. Sorrisos de cera. Amores em vão.

Um dia vou me arrepender, ou quem sabe me orgulhar, de toda dedicação, rejeição, de todo o tempo perdido, de todo o sentimento sentido.

Sem sentido. A vida nos faz perceber que, por mais especial que pareçam, os momentos passam, as pessoas passam e muitas vezes deixamos de aproveitá-los.

O tempo. O tempo nos faz, muitas vezes, esquecermo-nos de que nem tudo tem um propósito, nem sempre o culpado foi o destino, nem sempre foi amor, quase sempre foi apenas desejo, ganância, ambição.

Não podemos esperar que toda paixão um dia vire amor, grande ou pequeno. Amor é amor. Assim como nem todo botão se transforma em uma linda rosa, a paixão pode murchar, tornando-se apenas mais uma vivida, perdida e aprendida, nem sempre compreendida.

Viver. Sabe viver. Saber sofrer e aprender com o sofrimento. Dedicar-se. Decepcionar-se. Dar a cara a bater. Talvez, um dia, amar. Sempre se apaixonar.

Até que chega a hora da despedida e às vezes é necessário dizer adeus, para poupar a espera de um até logo.

domingo, 29 de maio de 2011

PS: De seu amor, amigo


Pra ser sincero, pensei milhões de vezes antes de decidir como te contar tudo que ainda sinto por você.

Resolvi escrever essa carta para lhe mostrar que, apesar de não querer entrar novamente na sua vida para atrapalhar seus planos ao lado de sua mais nova família, ainda te amo e esse amor nunca irá morrer.

Anos se passaram após o término do nosso relacionamento, mas seu cheiro predomina em cada peça de roupa que usei e o gosto do seu beijo impregnou nos meus sentidos como se não fosse possível, nunca mais, sentir qualquer outro sabor.

Confesso que essa carta pode, de certa maneira, te fazer lembrar-se dos nossos momentos, das nossas viagens e passeios românticos, mas a minha intenção não é fazer-te repensar em nós.

Minha intenção é, somente, te mostrar que não foi banal. Meu amor por você nunca foi mera paixão passageira e nunca morreu. Perdura mesmo após todo esse tempo que passou, fervente, queimando o coração como uma chama que nunca se apaga. Fazendo-me lembrar, a cada minuto que nunca mais poderei tê-la em meus braços pra dizer ao pé do seu ouvido o que deixei, diversas vezes, de dizer enquanto estávamos juntos. Dizer que te amo e que não me imagino com outra pessoa, em outro abraço.

Talvez essa carta não chegue até você, ou eu resolva não enviá-la, mas se um dia chegar a suas mãos leia sabendo que meu silêncio nunca foi falto de sentimento e que não te dizer o que pensava já era vontade de dizer.

Espero que entenda: ainda te amo, mas espero que seja feliz em seu novo rumo, com sua nova família e seu amor de verdade.

Ps: De seu amor, amigo.

domingo, 24 de abril de 2011

Roda Gigante


Era linda. Iluminava as noites que, em sua ausência, eram quase sempre cinzas, sem vida. Vermelhas, amarelas, azuis, verdes, suas lâmpadas radiavam luz e cor fazendo com que pudera ser vista da sacada de todas as casas do pacato vilarejo. Uma roda gigante, com seus altos e baixos, trazia a alegria e a vivacidade às crianças da cidade. A nós também.

Entramos. De baixo podíamos ver os pés das pessoas que ainda estavam na fila, das crianças que corriam de uma atração à outra, empolgadas com a primeira noite de abertura do parque. Lembrei de quando nos conhecemos, olhos baixos, sem se encarar. Tímidos, inocentes. Tínhamos quatorze anos e estávamos descobrindo a arte de viver, de viver juntos. Sem malícia, sem tanta empolgação.

Roda ligada e, no meio do passeio uma pausa. Estávamos na metade do caminho. Daquele lugar já dava pra ver o sorriso das pessoas, contentes com seus balões, maçãs do amor, algodões-doce. Sorrisos sinceros e puros, admirando com certo ar de infantilidade as luzes e efeitos que os brinquedos traziam. O meio. Aprendemos que na vida tudo deve ter um começo, um meio e um fim. Não pra mim. Os sorrisos me fizeram lembrar quando fui apresentado à sua família. Seu pai, um homem turrão que lhe achava, no auge de seus dezessete anos, nova demais pra namorar. Sua mãe, a típica mulher caseira, simples, que adorava qualquer atitude capaz de fazê-la sorrir. Começaram os conflitos relacionados à aceitação, rotina, brigas e veio o amadurecimento. Perdeu-se a inocência, veio o desejo, porém, com ele o medo.

Medo estampado em sua cara quando chegamos ao topo. Ah, o topo! De lá podíamos ver o brilho do orvalho nos montes ao refletir a luz da lua cheia que pairava no ar. E as estrelas? Brilhavam como nunca, umas distantes, outras tão perto que pareciam alcançáveis. Se pudesse pegaria uma pra te dar. O alto. Lá nos sentimos imponentes, realizados. Do alto tudo parece manipulável, facilmente dominável.

Como na vida, a roda gigante tem altos e baixos e, nunca se sabe onde ela vai parar e se estabilizar. Paramos no alto. No auge. Adultos, experientes, vivemos o nosso melhor momento juntos. Felicidade. Aprendemos que desejo, aceitação, inocência, malícia, e outros tantos sentimentos que tivemos que aprender a conviver são relevantes. Relevantes quando há amor. Quando entram em cena os sentimentos maduros que nos fazem sentir que é hora de aceitar que somos dois em um.

Cumplicidade, compreensão, fraternidade. Estamos prontos, prontos para assumir o compromisso de vivermos juntos, mantendo sempre aceso o brilho do amor como o das estrelas que vimos do alto da Roda Gigante.

domingo, 10 de abril de 2011

Surpresa e suspenses


Surpresa! Sou eu.

Adorei ver o seu sorriso ao me encontrar pela primeira vez.

As pessoas não têm noção do quanto ficam sublimes em seus momentos de mais pura falta de controle de seu emocional. Nesses momentos, demonstram o sorriso mais sincero, o olhar mais concreto, real.

Surpresas... Quem não gosta de surpresas?
Passeamos entre momentos de ápice, de espaço, de se revelar, se mostrar ao outro. Fazer-se conhecer, tentar se descobrir, tentar se defender sem demonstrar vontade de não atacar. Aliás, confesso que gostei até das suas involuções, quando parecia que não queria estar fazendo aquilo e se retraia, se segurava pra não mostrar-me empolgação, pra não sair da linha.

Parabéns! Conseguiu criar em mim, além de uma grande admiração, um grande ponto de interrogação.

Confuso. Se pedissem pra resumir em uma só palavra como fiquei em relação a tudo, seria essa. Bom? Ruim? Não sei, o tempo dirá.

Verdade seja dita: você agiu de maneira autêntica, sem se deixar levar por minhas tentativas de deixá-la mais a vontade. Eu sim deveria ter ficado mais a vontade. Não rolou.

Acabou. A lua apagou e veio um novo dia. Chuvoso e cinza. Típico dia que te faz parar pra pensar sobre o que fez, onde errou, onde não deveria ter pisado e pisou.

Arrependimento? Nenhum. Apesar da curiosidade, aprendi a sempre olhar pro horizonte.
Você tem o meu número e eu tenho o seu. Eu gostei e, de coração, espero que tenha gostado também.

Se sentir saudade, me liga. Estarei aqui esperando um sinal. Sinal que você resolveu não me dar na nossa noite de surpresas e suspenses. 

segunda-feira, 7 de março de 2011

Quando chega ao fim


Realmente não adiantaria te dizer que não 
tinha acontecido nada.

Um Snooker Bar, algumas doses de tequila, amigos, mulheres, marcas pelo corpo e alguns arranhões nas costas são tão denunciadores quanto a minha cara de quem não tava nem aí para os seus xingamentos.

Você me diz que, como sempre, estou jogando a culpa em você. Como sempre estou acusando o seu ciúme doentio e a sua falta de ânimo para me acompanhar pelos erros que cometo.

Por que sempre volta se desculpando por tudo? Pela incompreensão e pela falta de flexibilidade se você nunca está errada?

Por favor. Dessa vez espero que não fique se torturando com palavras na minha frente. Ainda me comovo. Ainda gosto de você, mas não o suficiente pra querer passar a minha vida toda ao seu lado.

Quando te der as costas, estarei indo pra sempre. Não me peça pra ficar. Sem por favor, sem se humilhar. Lágrimas molhando o meu sapato não irão, dessa vez, mudar a minha decisão.

Quero que fique na companhia de suas ilusões, de suas vaidades, de suas manias e segredos. Aprenda a conviver com eles. Aprenda a controlá-los.
Se um dia achar que mudou, que pode sim, manter um relacionamento com alguém, não me ligue. Não vai me achar. Tente encontrar alguém que não conheceu suas atitudes e particularidades antigas. Assim ele vai poder te amar imparcialmente, sem deixar que o passado lhe provoque algum tipo de incerteza.

E lembre-se: nenhum oceano é grande o suficiente para não ter fim. E o amor também é assim.

Fique com Deus.   

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Depois que se foi

Seis anos. Parece pouco, mas considerando a idade que estávamos nos separando não.
Eu tinha dezessete anos, você, dezesseis e meio.
Crescemos juntos, naquela vila pouco movimentada, com árvores robustas que faziam questão de esbanjar vivacidade mesmo após completarem centenário. As pessoas costumavam andar nas ruas sem preocupação, as crianças brincavam nos parques até o pôr-do-sol.
Até hoje os fins de tarde me lembram você. Afinal, foi em mais um desses dias comuns que te conheci. Sem maldade, com a pureza de uma nobre e nova flor que se abre no mais lindo jardim, te ajudei a se levantar de um tombo que levaste enquanto corria pra casa ao ouvir sua mãe lhe chamar. Depois dessa tarde, desse tombo, nunca mais nos separamos. Até seis anos atrás.
Hoje te vejo aqui, de surpresa, visitando sua família. Pode não parecer, mas desde que se foi não parei de pensar em ti. Fiquei imaginando como estaria com o passar dos anos, com o ganho de experiência de vida, de maturidade.
Hoje estou aqui, frente a frente com você, mais linda do que nunca. Radiante, cabelos loiros que brilham a cada raio de sol que os toca, lábios pequenos, delicados. Longe daquela menina de joelho ralado que levantei há alguns anos.
Sei que construiu sua vida longe daqui. Está noiva, quase se formando e com um estágio muito bom pra você.
Será que sente saudade das nossas tardes juntos? Dos dias em que saíamos sem rumo, andando pelas ruas só pra jogar conversa fora? Do nosso primeiro beijo, ingênuo, inocente? Será que ainda pensa em mim?
Não sei.
Não quero atrapalhar sua vida, mas se me ver hoje te causou algum tipo de sentimento, um frio na barriga, uma ansiedade ou simplesmente te fez acelerar o coração, te deixo meu telefone.
Se acaso sentir saudades minhas me ligue. Em qualquer lugar do mundo eu vou te buscar.
Depois que se foi sei o que é saudade, entendi o que é solidão e compreendi a dor de uma perda.
Depois que se foi só não sei como deixar de te amar.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não te amo, gosto muito de você!

Calor. Talvez uma das noites mais quentes desse verão.
As pessoas estavam nas ruas, explorando uma intimidade perdida ao longo dos anos com seus vizinhos. Era só mais uma noite quente de verão.
Não pra mim. Não pra você.
Era o dia.
O dia em que você não agüentaria mais a nossa situação e me faria a pergunta: “Tudo ou nada?“
Nada. Já estava preparado pra receber tal intimação. Sabia que um dia aconteceria. Sempre acontece.
Surpresa. Eu sou assim. Desculpe-me, mas não consigo mudar. Não hoje. Minha razão ganhou tal força que passa por cima do coração sem pedir licença, sem avisar. Talvez seja culpa dos anos de experiência com apego não retribuído, com dedicações sem retorno, com tentativas frustradas de ser feliz no amor.
Perdão. Ao invés de desenvolver minha capacidade de fazer os outros felizes pra sempre, desenvolvi apenas a de fazer feliz temporariamente. Desenvolvi minha persuasão, meu poder de conquista, meu encanto, minha lábia, minha capacidade de amar hoje. Talvez amanhã também.
Entenda. Não seria justo deixar que acreditasse que iria ser pra sempre e, de repente, dar-te as costas sem mais, apenas pela minha incapacidade de acreditar em mim, que posso fazer alguém e ser feliz.
Obrigado. Pelo carinho, pelas palavras, pela dedicação, pelo amor que demonstrou, pelos conselhos, pelas nossas noites, pelos sorrisos, por você ser quem é.
Acredite. A minha intenção não foi te fazer se apaixonar por mim e depois ir embora como um fugitivo. Nunca é. Sempre acontece.
Estou indo. Sem maiores explicações. Novamente me fazendo vilão das minhas ações. Quem sabe eu mude. Um dia.
Não te amo, gosto muito de você.
Adeus.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Uma voz chama por você

Quando despertei e não te vi, logo percebi que era sonho. Aliás, os constantes sonhos com você ou com algo que simplesmente me lembra você (quase tudo), é o que me traz tanto sofrimento e saudade. Pensando bem, sofrimento deveria ser sinônimo de saudade.
Agora me responda, ou ao menos tente explicar o porquê dessa incessante vontade de você. O porquê dos repetitivos sonhos em que sua imagem atordoa as minhas lembranças.
Não, eu não quero mais lembrar você porque sei que não vou mais te ter ao meu lado, mas é inevitável.
O simples fato de olhar um casal passear de mãos dadas me lembra você.
Às vezes é o silêncio da tarde, ou a passagem das brisas de verão que me sussurram ao pé do ouvido o seu nome.
Incansáveis. Não se cansam de me fazer lembrar os momentos felizes que passamos juntos e, conseqüentemente, o dia em que você foi embora levando toda a nossa história sem me dar ao menos um motivo, uma razão.
Isso me dói na alma. No mais profundo do meu ego eu tento esquecê-la, mas aqui dentro tem uma voz que chama por você, insistente, maçante, teimosa.
Fecho os olhos e tento me abstrair das vontades que tenho dos seus beijos, do seu corpo no meu corpo, do seu sorriso, da sua espiritualidade.
E vivo assim, a cada dia lutando contra minha própria memória, tentando apagar você da minha mente. Tentando acabar com essa penitência imposta por meus próprios flashbacks de momentos com você. Mas eu não consigo, sabe por quê?
Eu te amo e, amor, ninguém consegue apagar.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Destino, tente outra vez!

Quando fechei os olhos, senti o mundo girar. Concentrei-me. Rezei para que estivesse rebobinando, voltando os capítulos da minha vida em que o final era uma decepção comigo mesmo. Máquinas do tempo... O que você faria se tivesse uma? O que faria se pudesse mudar algo no seu passado? Recomeçar talvez?
Não era real.
Abri os olhos e dei de cara com a realidade nua e crua, insípida, maldosa.
Por que quando tudo parece caminhar conforme o previsto a vida vem e te dá uma rasteira? Rasteira daquelas em que você pode decidir entre quebrar um braço ou a cara.
Não escolhi nenhuma dessas opções. Escolhi deixar a vida escolher.
Levantei e não senti nada, nenhuma dor sequer. Incrível? Não.
Olhei nos olhos do destino e disse: “Dessa vez não. Dessa vez vou me reerguer. Cansei de perder pra vida”.
Pude ouvi-lo rir da minha cara, trocista, libertino.
Mas quem é o destino? O destino é covarde, omisso.
Eu vou criar o meu próprio destino! Acertando os meus erros, consertando os braços e a cara quebrada em cada queda.
Eu vou fazer o destino me temer a cada vez que me ver levantar de suas ciladas. Vou fazer um futuro meu. Meu e de quem quer o meu bem. Seguir em frente, encará-lo, produzir um futuro, superar as dificuldades e viver em paz.
Quer me derrubar?
Passe por cima da minha fé, da minha força de vontade, das pessoas que me fortalecem, da minha vontade, da minha gana por vitória, do meu suor, do meu esforço.
Faça o seguinte, destino: Tente outra vez.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Só não quis te ver chorar

Sabe os dias em que eu evitei te ver? Só não quis te ver chorar.
E as noites em que preferi ficar em silêncio ao ter que te responder questões do tipo: “Você me ama”? Só não quis te ver chorar.
Não por mim.
Às vezes nem eu acho que valho uma lágrima de uma pessoa.
Enfim. Guarde suas lágrimas pra algo mais importante. Guarde para derramá-las quando o motivo for felicidade ou orgulho de si mesma. Ou apenas guarde para desperdiçá-las com alguém que mereça mais que eu.
Não que eu esteja te dizendo que nunca senti nada por você. O que quero dizer é que minhas barreiras me impedem de sentir algo mais por alguém.
Deu pra perceber o problema? Prazer, sou eu. Os constantes tombos, as inúmeras decepções e as quase imperceptíveis desilusões me fizeram essa pessoa que sou: Razão. As circunstâncias me fizeram assim, o meu passado me fez assim e agora está difícil mudar.
Estou aqui pra dizer que acima de tudo eu te admiro por ser como é, por ter suportado por tanto tempo esse meu jeito mesquinho de pensar somente em mim tentando convencê-la do contrário.
Desejo-te do fundo do meu, por enquanto congelado coração, que sejas feliz, que encontre alguém que mereça esse brilho no seu olhar e essa sua dedicação intensa.
Estou aqui pra te dizer adeus. Mesmo que te machuque temporariamente.
E acredite: o tempo tem o poder de curar as feridas.
E desculpe a minha ausência. Não quis parecer covarde.
Só não quis te ver chorar.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Eu te amo e pronto!

Onde está escrito que eu devo dizer “Eu te amo”? Quem fez disso uma regra? Tá, talvez eu a ame mas... Eu não quero. Tá bom, talvez eu não deva. Ou quem sabe sou só eu com medo de amar outra vez e sofrer novamente.
Por que eu devo dizer que te amo?
Só porque seu olhar me encanta reluzente como um farol que guia os navegantes?
Quer saber? Não to nem aí pro seu olhar. Nem pra esse papo meloso. Mentira.
Me peguei pensando em nós.
Nos domingos em que saíamos pra simplesmente andar, sentindo o Sol tocar nossas peles e aquecer o momento.
Nas noites em que simplesmente deitávamos na rede pra observar a Lua gorda, cheia, rodeada de estrelas de todas as cores.
No dia em que acordamos e eu fiquei ali, parado, no canto que divide a sala de jantar da cozinha do seu apartamento, decorando a sua geografia enquanto preparava um daqueles seus cafés fortes e cheirosos, vestida unicamente com aquela minha camisa branca preferida que me deste de aniversário dizendo que era a minha cara. Lá fora a chuva batia insistentemente no telhado produzindo um som quase que harmonioso. No rádio tocava uma das muitas versões existentes de um clássico da MPB cujo nome não me recordo.
Tudo parecia tão cinza a nossa volta. Menos a imagem de você, ali, de costas pra mim, sem perceber, no auge de sua inocência, que estava mais sexy do que nunca.
Éramos vida, simplicidade e amor. Peraí! Eu falei amor? Então vou ter que assumir: “Eu te amo e pronto”!

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Tarde demais

Estou aqui pra te pedir que me deixe. Tomei essa decisão depois de horas e horas pensando no que ainda me faria te dar outras chances de mudar. Lembrei daquele abraço. Aquele que, quando te abracei, não senti mais nada. Não quero que me interprete mal. Não. Não foram as brigas, nem as crises de ciúme, nem as contínuas críticas sobre o meu jeito de interagir com as pessoas. Não. Foi você. Você pediu. Enquanto eu tentava construir as paredes do nosso amor, você derrubava os tijolos. Às vezes retirando um por um, às vezes com marretadas que desmoronavam uma parede inteira. Fato é que cansei. Espero que me entenda. E por favor, não chore na minha frente.
E se acaso sentir saudades minhas, pegue aquele velho retrato onde faço careta pra você. Aquele que todo mundo odiou e que você amou. Pegue o retrato e todas as lembranças minhas e reflita sobre os inúmeros “nãos” que me respondeu quando, humildemente, te pedi pra mudar esse seu jeito infantil de agir.
Fazendo isso talvez você consiga perceber que a sua mania de grandeza te fez pequena demais pra mim.
Estou indo embora. Adeus.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Egoísmo

Alguém já parou pra pensar no quanto as pessoas ficam chatas ao começarem a falar sobre si mesmo? É impressionante como eu, você e todos não conseguimos falar dez palavras sobre a nossa vida sem reclamar dela.
Têm-se um emprego, reclama-se do excesso de trabalho. Se não temos um emprego reclamamos da falta de dinheiro.
Têm-se uma pessoa ao lado, reclama-se da falta de liberdade. Se não temos alguém para se relacionar, reclamamos da solidão.
Verdade seja dita: é hábito reclamar da vida.
Agora se parássemos e olhássemos para os lados, veríamos que por mais que aquilo não te pareça suficiente, faz falta à outra pessoa. O egoísmo também se tornou protagonista na vida das pessoas fazendo com que nós, sem que percebamos, nos desfaçamos do que temos sem dar o valor que se deve.
Sabe quando reclamamos da comida que está no nosso prato? Milhões de pessoas gostariam de estar comendo metade, ou quem sabe um punhado do que está ali.
Sua TV está pequena demais para ver seus filmes de ficção? Enquanto isso milhares de crianças assistem e presenciam ao vivo os seus semelhantes morrerem de fome, frio, ou qualquer outra coisa que talvez não sentimos enquanto estamos com o nosso ar condicionado ligado, tomando o nosso chocolate quente enquanto faz frio lá fora.
Por que só quando paramos pra pensar é que percebemos isso? Esquecemos de usar o tempo como aliado. Desde que o tempo se tornou inimigo mortal do ser humano, a palavra pressa martela em nossas cabeças, fazendo-nos tropeçar em corpos, desprezarmos almas e desfazermo-nos de pessoas tão inocentes quanto nos julgamos quando se toca no assunto.
Hipocrisia? Pode parecer. Pois tenho certeza que enquanto o texto é lido, reflete-se. Mas amanhã, quando o nosso marcador de tempo despertar, nós correremos para se arrumar, reclamaremos de ter que ir trabalhar, reclamaremos do pouco tempo que temos para almoçar, reclamaremos que o nosso dinheiro não foi suficiente esse mês, supervalorizando coisas que talvez fossem o necessário para aquelas pessoas que vivem cada dia sem saber se vão ter o que comer, se vão ter onde dormir.
Verdade é que sempre estamos querendo mais. Quanto mais se tem, mais se quer. É o resultado de anos se criando uma cultura onde a ganância e o egoísmo imperam sobre a solidariedade e a fraternidade. Se isso vai um dia mudar? O que começa sempre tem um fim. Resta saber se estaremos vivos para ver.